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CEO da Tap diz que era da passagem aérea barata acabou

Roberto Castro/MTur

Luís Rodrigues, presidente da Tap, com o ministro do Turismo, Celso Sabino

Luís Rodrigues, presidente da Tap, com o ministro do Turismo, Celso Sabino

Em entrevista concedida ao portal O Globo, o presidente da Tap Air Portugal, Luís Rodrigues, destacou que o setor aéreo passa por uma demanda aquecida de passagens aéreas, o que resulta no aumento inevitável do preço dos bilhetes.

“Quando olhamos para a frente, para reservas, não vemos crise. Vemos demanda sustentável forte. O que vemos são problemas na disponibilidade de aviões. Os fabricantes não conseguem entregar mais aeronaves. Temos um problema estrutural, com alta procura e oferta que não é forte, o que significa que o preço inevitavelmente sobe”, destacou Rodrigues ao O Globo.

O executivo afirma ao portal que a era da passagem aérea barata acabou e que baixar o preço administrativamente pode ser feito, mas é um péssimo princípio. “Porque vai terminar mal. Quando não se deixa o mercado funcionar, a coisa anda mal. (…) A humanidade como um todo aumenta. Vai ter mais gente para voar. As pessoas têm mais apetite por Turismo. As companhias têm ainda o desafio de sustentabilidade, de conseguir emissões de carbono zero. Diria que passagem aérea barata só em promoção”, avalia. Sendo assim, segundo ele, o consumidor deve se programar com antecedência para suas viagens a lazer se quiser bilhetes mais em conta.

Ele lembra que a passagem aérea internacional do Brasil é precificada em dólar e que os preços aumentam devido à limitação da oferta . “A única forma para o passageiro de lidar com isso é planejar o mais cedo possível sua viagem”. No que se refere às viagens corporativas, o presidente da Tap afirma que o passageiro desse segmento já voltou. “Não é possível fazer negócios a distância. Esse passageiro já voltou. Talvez não tanto como em 2019, mas não sumiu como diziam os ‘profetas da desgraça’”.

Brasil responde por um terço da operação

O presidente da Tap conta também que Brasil é o mercado que mais cresce, respondendo por um terço da operação da companhia aérea portuguesa. O objetivo, segundo ele, é ampliar para 91 os voos para o País neste ano, com presença em 11 capitais. “Para 2024, estamos aumentando o número de voos. Em Belém, passaremos de quatro para cinco voos semanais. Brasília, de seis para sete voos diários. No Rio, de 13 para 14. Em São Paulo, de 21 para 24. Em Porto Alegre, de três para quatro. São 11 cidades ao todo. Se tivéssemos mais aviões a dúvida seria fazer mais do mesmo ou novas rotas, como São Luís, Florianópolis e Curitiba”, afirmou Luís Rodrigues ao portal O Globo.

“Vamos ter no verão (europeu) 91 frequências semanais entre Lisboa, Porto e Brasil. São pessoas que fazem Turismo, ficam em Portugal ou vão para o resto da Europa. Há muitos residentes. Há cidades em Portugal, como Braga, onde a população brasileira representa 15% da comunidade”.

Ele comenta, ainda, que o Turismo no Brasil tem muito potencial para crescer, e o compara com o Turismo de Portugal. “Em Portugal, o Turismo é 19% do PIB. Aqui, é 7% ou 8%. Não faz sentido. O Brasil não é Rio ou São Paulo. Há maravilhas sem fim. E o europeu não conhece o Brasil. Todas as conversas que temos tido com governantes brasileiros são para aumentar o investimento em promoção do Brasil na Europa”. Atualmente, a Tap tem restrições para ampliar sua frota devido ao acordo de reestruturação fechado com a Comissão Europeia há três anos..

Futuro da Tap ainda é incerto

Após a eleição em Portugal, marcada para o mês que vem, o governo do país pode decidir privatizar a companhia aérea ou vender uma fatia de seu capital ao setor privado.

“Há três cenários possíveis. Hoje é uma empresa pública sujeita a regras de empresa pública. A Tap precisa cumprir as mesmas obrigações que o Teatro São Carlos ou a Companhia das Águas. Isso não faz sentido porque a Tap é a única que opera no mercado global. Um segundo cenário é ser empresa pública e ter regras próprias, como aconteceu até 2014. O terceiro cenário é ser completamente privada. Acho que o Estado manter uma participação faz sentido dada a importância estratégica da empresa. Mas não obrigar a empresa a ser tratada como empresa pública”, falou o executivo em entrevista.

Segundo ele, as companhias aéreas interessadas na Tap são a Iberia, Air France KLM e Lufthansa. “Tem que ser majoritariamente europeu por causa das regras de controle, mas pode haver participação brasileira, americana ou árabe, desde que o controle da compradora seja da Europa”.

“Quem comprar já não estará obrigado aos termos do plano de reestruturação. O maior ativo da Tap é o acesso ao mercado brasileiro. O Brasil representa um terço da operação. Ninguém compraria a empresa para pôr em causa o acesso ao mercado brasileiro. Seria matar a galinha dos ovos de ouro”.

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